Lista Verde da UICN no Brasil: lições para fortalecer a governança equitativa em áreas protegidas
O Brasil vem consolidando avanços na implementação da Lista Verde da UICN, destacando experiências concretas de governança equitativa e participação social em áreas protegidas. Esses temas estiveram no centro do evento paralelo “Comunidades e Áreas Protegidas: Equidade e Governança na Lista Verde da UICN”, realizado em 21 de maio de 2026, no âmbito do XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (SAPIS) e do VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (ELAPIS), na Universidade de Brasília.
A Lista Verde da UICN consolida-se como um instrumento estratégico para apoiar áreas protegidas e conservadas a aprimorar sua gestão, fortalecer a governança e demonstrar resultados mensuráveis para a biodiversidade e o bem-estar humano. Mais do que um mecanismo de reconhecimento, o Programa oferece uma referência prática para qualificar a tomada de decisão, promover melhoria contínua e reforçar a credibilidade das áreas, inclusive para a atração de investimentos em conservação.
No Brasil, a implementação do Programa teve início no final de 2020, com a formação do Grupo de Especialistas em Avaliação da Lista Verde (EAGL-BR) e a adaptação dos indicadores ao contexto nacional. Desde então, o país alcançou marcos relevantes, posicionando-se como uma referência emergente na América Latina. A Reserva Extrativista Marinha de Soure tornou-se a primeira Unidade de Conservação brasileira certificada, em 2024, seguida pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, em 2025. Outras áreas seguem em processo de candidatura, incluindo o Parque Nacional do Iguaçu e a Reserva Particular do Patrimônio Natural Cristalino.
O evento proporcionou um espaço qualificado de intercâmbio entre representantes comunitários, gestores de unidades de conservação, especialistas do EAGL-BR, a coordenação regional da Lista Verde na América do Sul e representantes da UICN no Brasil. O diálogo conectou experiências locais com os princípios do padrão global, evidenciando como a Lista Verde pode fortalecer arranjos de gestão compartilhada e valorizar práticas já consolidadas nos territórios.
As discussões destacaram práticas alinhadas aos indicadores da Lista Verde, incluindo governança equitativa, engajamento ativo de mulheres e jovens e protagonismo das comunidades na gestão das unidades. Foram também ressaltados aspectos como a repartição justa de benefícios provenientes de práticas sustentáveis, o papel das parcerias estratégicas e a importância de mobilizar recursos para garantir a sustentabilidade da gestão no longo prazo.
Representantes comunitários e gestores das unidades enfatizaram o papel central das comunidades em todas as etapas do processo, reconhecendo seus conhecimentos e sua contribuição para a conservação. Nos três casos apresentados, o processo foi marcado pela participação ativa de conselhos, associações, grupos de jovens e de mulheres, reforçando o senso de pertencimento e corresponsabilidade.
Como destacou Lucas Gadelha, analista ambiental do ICMBio na RESEX Marinha de Soure, o processo da Lista Verde reconhece práticas que já emergem da gestão compartilhada, construída historicamente com as comunidades.
Entre os principais benefícios apontados ao longo do processo estão o aumento da visibilidade das áreas, o fortalecimento de parcerias, a ampliação de oportunidades de captação de recursos, o engajamento social e o aprimoramento da gestão territorial. O Plano de Melhorias foi destacado como um instrumento particularmente relevante para orientar prioridades e impulsionar avanços contínuos.
Como ressaltado durante o evento, a Lista Verde não busca reconhecer “áreas perfeitas”, mas sim territórios comprometidos com a conservação, a equidade e a melhoria contínua. A experiência brasileira evidencia o potencial do Programa como uma plataforma para escalar boas práticas, fortalecer lideranças locais e acelerar o cumprimento das metas globais de biodiversidade, incluindo o objetivo 30x30.
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