UICN destaca papel das zonas úmidas e da cooperação internacional na abertura da CMS COP15
O Segmento de Alto Nível da CMS COP15, realizada em Campo Grande, contou com a participação do Diretor Regional da UICN para a América do Sul, Gabriel Quijandría. Durante sua intervenção, o representante da UICN destacou a importância estratégica das zonas úmidas para a conservação das espécies migratórias e defendeu o fortalecimento da cooperação internacional e da governança multinível como pilares para enfrentar os desafios ambientais atuais.
Ao iniciar sua participação, Gabriel destacou o simbolismo do local que acolhe a conferência, nas proximidades do Pantanal, um dos ecossistemas mais relevantes do planeta para a biodiversidade. Em seguida, destacou o papel central das zonas úmidas na conectividade ecológica global:
"As zonas úmidas são infraestruturas naturais essenciais para as espécies migratórias e para as pessoas. As espécies migratórias dependem de redes de habitats ao longo de rotas internacionais, que em muitos casos incluem zonas úmidas extensas e de grande relevância. As zonas úmidas são nós cruciais nessa conectividade."
O diretor também chamou a atenção para a vulnerabilidade desses ecossistemas, frequentemente subestimados em comparação com outros habitats, apesar de sua relevância ecológica e socioeconômica:
"Esses ecossistemas, ao garantir o fornecimento de água para as necessidades humanas, reduzir o risco de desastres e apoiar a produção agrícola e a pesca, sustentam não apenas milhões de pessoas em áreas rurais e pescadores, mas também grandes centros urbanos localizados a grandes distâncias."
Outro ponto central de sua intervenção foi a necessidade de fortalecer os mecanismos de cooperação entre países e instituições, articulando diferentes níveis de governança para garantir a conservação efetiva das espécies migratórias e de seus habitats:
"Para fortalecer a proteção desses ecossistemas e das espécies migratórias associadas, é essencial impulsionar a cooperação interinstitucional e internacional e considerar mecanismos de governança multinível."
Gabriel também destacou a urgência de integrar as agendas de biodiversidade e clima, defendendo as Soluções Baseadas na Natureza como resposta aos crescentes impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas:
"A mudança do clima constitui uma ameaça fundamental para as zonas úmidas. [...] a UICN defende explicitamente a integração das políticas de biodiversidade e clima, com ênfase na aplicação da adaptação baseada em ecossistemas e na ampliação em escala das soluções baseadas na natureza."
Como exemplo concreto, o diretor mencionou a iniciativa Tech4Nature, desenvolvida na Reserva Marinha Extrativista de Soure, no estado do Pará, que integra monitoramento ambiental, participação comunitária e conservação de espécies-chave:
"Iniciativas como o Tech4Nature [...] demonstram resultados concretos: o modelo de co-gestão entre o ICMBio e as comunidades [...] não apenas contribui para a conservação de espécies-chave, como também fortalece diretamente a integridade dos manguezais amazônicos."
Apelo à ação urgente em prol das espécies migratórias durante a abertura da Conferência
Além disso, a UICN teve um espaço reservado durante a abertura da COP15 da CMS. Em sua declaração, o Diretor Regional reforçou a necessidade de uma ação coordenada entre os países para garantir a conservação das espécies migratórias, destacando a importância da implementação do Plano Estratégico de Samarcanda (2024–2032) e sua integração nas estratégias nacionais de biodiversidade.
A UICN também chamou a atenção para pressões críticas, como os impactos da pesca, especialmente a captura acidental, e a necessidade de fortalecer o monitoramento, a cooperação com organismos regionais e o planejamento territorial que incorpore a conectividade ecológica em rios, paisagens e rotas migratórias.
Em resumo, os pontos destacados foram:
Implementação coordenada: Executar o Plano Estratégico de Samarcanda 2024-2032.
Foco nas zonas úmidas: Proteger esses ecossistemas como infraestrutura crítica.
Mitigação de ameaças: Reduzir o impacto da pesca e da captura acidental em espécies marinhas.
Conectividade ecológica: Integrar corredores biológicos no planejamento territorial.
Padrões de conservação: Uso de ferramentas científicas para salvaguardar rotas migratórias.
No final de sua intervenção, Gabriel Quijandría destacou o papel das zonas úmidas como espaços decisivos para enfrentar as múltiplas crises ambientais e ressaltou a importância da ação conjunta:
“As zonas úmidas são, sem dúvida, cenários decisivos onde a humanidade resolverá as crises existenciais que hoje nos ameaçam. Dependerá da nossa capacidade de construir e impulsionar visões e ações conjuntas para que essa resolução seja favorável aos seres humanos e à natureza. Da IUCN, estamos prontos para nos unir a esse esforço”, afirmou Gabriel Quijandría.
Durante esta cúpula, a IUCN manterá uma agenda ativa, liderando eventos próprios e participando como palestrantes e moderadores em espaços estratégicos, incluindo o Pavilhão do Brasil. A CMS COP15 reúne governos, especialistas e organizações internacionais para avançar na conservação das espécies migratórias e fortalecer a cooperação global em torno da proteção de seus habitats.